Património

  • Património Arquitectónico e Cultural da Ilha do Pico

     Fonte: Sítio Oficial Turismo dos Açores © Azores Tourism 2015

PATRIMÓNIO

PATRIMÓNIO MUNDIAL

Para protecção da maresia e do vento e para retirar o melhor partido das condições climatéricas e geológicas dos terrenos pedregosos e das zonas de lajido, o Homem picaroto organizou o terreno num impressionante mosaico de pedra negra: os “currais”. Este reticulado de quadrículas delimitadas por muros de basalto onde se plantam as videiras estende-se pelo horizonte. Criação Velha e Santa Luzia são exemplos maiores desta arte de parcelar a terra, a que correspondem centenas de quilómetros de muros de pedra arduamente erguidos. Estes terrenos, misto de natureza lávica e práticas culturais ancestrais, englobam a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, Património da Humanidade da UNESCO desde 2004.

Enquanto que no chão de lava negra se destacam as “rilheiras”, sulcos deixados pelas rodas dos carros de bois que transportavam uvas e barris, nos portos e portinhos junto à beira-mar são os “rola-pipas”, encostas talhadas para facilitar o deslize das pipas até aos barcos, que ainda hoje personificam esta actividade.

ARQUITECTURA

Para além das suas igrejas e arquitectura rural,  o legado arquitectónico do Pico está parcialmente associado ao cultivo da vinha. Na zona da Areia Larga, encontram-se bonitos solares que serviam de moradia temporária aos proprietários de vinhedo que habitavam no Faial. Datados dos séculos XVIII e XIX, caracterizam-se por traços rígidos e por estruturas de apoio como poço de maré, adega e armazém.

Nas Adegas do Pico, por vezes adaptadas ao turismo rural, as paredes de pedra vulcânica entrelaçam-se com o mar e a vegetação. A memória viva do ciclo do verdelho tem novo capítulo no Museu do Vinho. Instalado na Madalena, numa antiga mansão de veraneio dos frades carmelitas, tem colecção de alfaias, alambiques e pipas. A sua frondosa mata de dragoeiros dá um remate cénico ao lagar que resistiu à passagem do tempo.

A faceta vulcânica da ilha está também estampada no casario de lugares como o Cabrito, Arcos, Lajido, Cachorro ou Calhau. A arte de trabalhar a pedra de cantaria assume no Pico expoente máximo, onde a textura da rocha e o emparelhamento perfeito da pedra basáltica negra contrastam com as molduras brancas das janelas e os verdes e vermelhos brilhantes com que se pintam as madeiras das portas.

Os “maroiços” são elementos arquitectónicos únicos no arquipélago. Presentes sobretudo na zona da Madalena, são amontoados usualmente de forma piramidal de pedras soltas, fazendo lembrar pirâmides astecas. Estes montes formados pelo empilhamento de rochas recolhidas nos terrenos agrícolas na sua envolvente, para facilitar o maneio da terra, foram crescendo com o passar das décadas e séculos, permanecendo até hoje como símbolo da tenacidade dos habitantes do Pico.

CULTURA

O Pico centraliza os principais vestígios da epopeia baleeira açoriana. Lajes, São Roque, Calheta de Nesquim ou Ribeiras convidam a passeios para descobrir portos pitorescos, velhos baleeiros e ruelas com casario típico. A associação à caça da baleia conta-se em espaços como o Museu da Indústria Baleeira, em São Roque, situado no edifício da antiga fábrica Armações Baleeiras Reunidas, que ainda preserva fornalhas, caldeiras e outros equipamentos utilizados na transformação do cachalote. O espólio de fotografias, utensílios e botes baleeiros complementa-se no Museu dos Baleeiros, nas Lajes do Pico, cuja exposição permanente, abrigada em antigas casas de botes, inclui um bote com arpões e outros utensílios usados na caça, bem como artísticos exemplares de scrimshaw (gravação ou escultura em dentes de baleia).

Outrora o centro de construção naval do Arquipélago, em Santo Amaro ainda subsiste o fabrico artesanal de embarcações. O estaleiro junto ao mar permite entrar em carcaças de barcos, mais ou menos completas consoante o avançado da obra. Ao lado, um museu particular dá dimensão humana à ligação entre a ilha e esta actividade.

 

ARTESANATO

Escola de Artesanato de Santo Amaro e a Escola Regional de Artesanato, em São Roque, são instituições que procuram manter vivas tradições artesanais como os chapéus de palha, as flores de escama de peixe ou as rendas de croché. As miniaturas em madeira dos botes baleeiros ou as reproduções de iconografia ligada ao vinho – como os carros de bois a transportarem pipas – são deliciosos testemunhos da história picoense.

 

FESTIVIDADES

Além da transversal Festa do Espírito Santo, o Pico tem especial devoção ao Senhor Bom Jesus Milagroso. Os festejos decorrem em São Mateus, por volta do dia 6 de Agosto e têm por base a veneração dos peregrinos a uma imagem originária do Brasil e exposta no Santuário do Bom Jesus Milagroso. Na Madalena, a festa dedicada à padroeira do concelho, Santa Maria Madalena, inclui manifestações religiosas, desportivas e culturais que animam o mês de Julho.

Em São Roque, o Cais de Agosto combina espectáculos musicais com mostras de artesanato e provas desportivas. Nas Lajes, a Semana dos Baleeiros junta a homenagem aos que participaram nesta importante actividade socioeconómica dos Açores a um programa eclético que anima a parte final do Verão. Já em Setembro, a vila da Madalena propõe as Festas da Vindima, com arraial e evocações etnográficas tendo por base a cultura da vinha.

As corridas de botes baleeiros são muito simbólicas na ilha do Pico. As regatas, efectuadas em botes de madeira com espaço até seis remadores, marcam presença assídua em várias festas e contam com aguerridas disputas com tripulações vindas de toda a ilha e das outras “ilhas do triângulo”.

GASTRONOMIA

Terra de tradição vínica, no Pico produzem-se vinhos brancos, tintos e rosé bastante apreciados em todo o Arquipélago. Aos poucos, tenta-se recuperar o prestígio do vinho proveniente da casta verdelho, melhorando a produção e inovando nos produtos.  “Basalto”, “Lajido” e “Terras de Lava” são designações de vinhos do Pico que remetem para uma relação homem-natureza que a ilha muito preza. A Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico, na Areia Larga concentra a produção local, já baseada em novas castas, e pode ser visitada. As aguardentes de figo e de nêspera também têm adeptos e ainda se conseguem encontrar velhos alambiques de cobre a funcionar. A angelica e os licores de frutos são propostas mais doces.

A ilha sempre foi grande produtora de fruta, sendo afamado o figo, de interior vermelho vivo. O mel produzido com a flor do incenso e o Queijo do Pico – DOP, um queijo de leite de vaca de pasta mole muito apreciado, completam a lista de preciosidades gastronómicas da ilha. À mesa, são diversas as propostas para uma refeição típica, com particular destaque para o polvo guisado com vinho de cheiro, linguiça com inhame, molha de carne e os caldos de peixe.

 

Anúncios