Natureza

  • Património Natural da Ilha do Pico

Fonte: Sítio Oficial Turismo dos Açores © Azores Tourism 2015

NATUREZA

A ILHA CINZENTA

Os extensos campos de lava que marcam a paisagem da ilha, e que a população local denomina de “lajidos” ou “terras de biscoito” consoante a sua planura ou irregularidade, servem de mote à cor cinzenta escolhida para o Pico. E também os currais da vinha, os maroiços nos terrenos agrícolas, os muros de caminhos, veredas e divisórias dos terrenos remetem para esta tonalidade, entremeada com o verde da vegetação.

O imenso cone vulcânico da Montanha do Pico ergue-se majestoso, cortando o azul celeste ou deixando-se enrolar num manto de nuvens protector. Para oriente deste colossal vulcão, a ilha espreguiça-se numa longa cordilheira vulcânica, de exuberantes manchas de vegetação endémica e verdejantes pastagens, onde pontuam cerca de duas centenas de pequenos cones de escórias basálticas e cerca de uma vintena de lagoas. Estas e outras massas de água, incluindo charcos e terrenos de turfeira mais ou menos alagados, servem de albergue a aves residentes e exóticas migradoras, como a garça-real

 

PAISAGEM VULCÂNICAS

Imponente, majestoso, magnífico, são algumas das muitas alcunhas que o vulcão da Montanha do Picorecolhe, graças aos seus 2350 m de altitude máxima, 19 quilómetros de diâmetro médio ao nível do mar e figura esbelta. O terceiro maior vulcão do Atlântico impõe-se na paisagem da ilha, exercendo uma atracção irresistível de quase todos os cantos do Pico, e muitos sítios das ilhas vizinhas. Na sua cratera principal aloja-se um cone de lava designado de Piquinho, no topo do qual fumarolas permanentes encarregam-se de lembrar a sua natureza vulcânica. A cerca de 1250 metros de altitude, onde se inicia a subida pedestre à Montanha, o olhar já abarca grande parte da ilha, bem como as vizinhas Faial e São Jorge. A subida até ao topo é servida de elevadas doses de cansaço, e de satisfação: pelo feito extraordinário e por panorâmicas fantásticas e únicas. Em dia límpido, tem-se como prémio adicional o vislumbre das ilhas Graciosa e Terceira.

Na metade oriental da ilha é o Planalto da Achada que domina, segundo uma cordilheira vulcânica com cerca de 30 km de extensão entre a Lagoa do Capitão e a Ponta da Ilha. Os seus cerca de 200 cones vulcânicos e áreas adjacentes albergam turfeiras, charcos ou lagoas, como as do Grotões, Rosada, Paul, Landroal, Caiado, Peixinho e Negra. Esta área constitui um dos locais mais importantes dos Açores em termos de vegetação endémica, com espécies como cedro-do-mato, queiró, sanguinho ou trovisco em extensas e densas manchas.

Mas, são os campos de lava basáltica a imagem de marca da ilha, repositório de inúmeros e diversificados vestígios da actividade vulcânica que fez nascer a ilha e que fazem lembrar os de  outras ilhas vulcânicas exóticas, as ilhas havaianas. Nalguns casos estes campos de lava estão associados a erupções testemunhadas pelas populações, que, temerosas, designaram de “mistérios” tais terrenos rochosos e incultos nascidos do fogo da Terra: assim nasceram o Mistério da Praínha (no século XVI) e os mistérios de Santa Luzia, São João e da Silveira no século XVIII.

 

ORLA COSTEIRA

O cinzento-escuro do basalto, o azul cristalino do mar e o branco leitoso da espuma da rebentaçãomarcam a trilogia colorida do litoral da ilha do Pico. Sem praias, mas com encantadoras baías e enseadas, a ilha oferece várias zonas balneares, frequentemente aproveitando o recorte da costa para proporcionar um cenário natural único. Em contrapartida, altas arribas marcam certos troços da orla costeira do Pico, rivalizando com as de São Jorge na sua imponência e deslumbre: o Miradouro da Terra Alta propicia esta visão.

Arcos, grutas litorais e bancadas de rocha dura sucedem-se ao longo do litoral, aqui e ali dando passagem a terrenos de vinha com as suas típicas adegas. Em muitos locais da ilha, como nas Ribeiras, nas Lajes do Pico ou na Ponta do Mistério, permanecem extensas fajãs lávicas, testemunho eloquente da constante luta entre a força criadora dos vulcões e as acções destruidoras do mar

EXPERIÊNCIAS

A observação de cetáceos é o prolongamento natural da tradição baleeira da ilha, agora adaptada aos tempos modernos. As águas do Pico são apropriadas para a prática da vela ou de caiaque e um passeio de barco permite observar o recorte da costa, ideal para a pesca de rocha ou o mergulho. Várias piscinas naturais em pontas de lava e mar azul cristalino convidam a um banho de mar.

A subida à Montanha é empreendimento ao alcance de todos, mas que exige alguma preparação física e mental, bem como calçado e vestuário adequado. Uma escalada com guia permite conhecer em pormenor a vegetação, que varia com a altitude e a história do maior vulcão dos Açores. Ida e volta duram, no mínimo, quatro horas. Alguns operadores turísticos propõem pernoitar no topo da montanha, para apreciar o pôr-do-sol e os primeiros raios do alvorecer.

O túnel lávico da Gruta das Torres permite vivenciar o mundo subterrâneo da ilha tomando como ponto de partida o seu bem apetrechado centro de visitantes. A espeleologia tem terreno fértil no Pico, graças às dezenas de cavidades vulcânicas existentes, como as de Frei Matias, dos Montanheiros ou de Henrique Maciel, possíveis de explorar com o auxílio de guia e equipamento especializado.

A bem estruturada rede de percursos pedestres da ilha e passeios de bicicleta, de burro e a cavalopermitem desfrutar calmamente da paisagem. O entusiasmo atinge picos de adrenalina ao comando de uma BTT, moto4 ou cross-kart, ou a praticar escalada nalgumas secções já preparadas para o efeito.

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